Em 30 segundos
- A margem EBITDA divide o EBITDA pelas receitas: que parte de cada venda fica antes de juros, impostos, depreciações e amortizações.
- A Verizon teve em 2025 uma margem EBITDA de 34,5% (47.608 milhões de dólares sobre 138.191 milhões de receitas), mas uma margem líquida de 12,4%.
- A Kaplio pede a uma operadora de telecomunicações uma margem EBITDA de pelo menos 30% e a uma empresa de media, de 20%; entre setores diferentes a comparação engana.
- Como vem antes dos juros, compara empresas com dívidas diferentes, mas não vê nem a dívida nem os investimentos de que o negócio precisa.
- Desconfie do «EBITDA ajustado»: a WeWork perdeu 1.927,4 milhões em 2018 enquanto destacava uma margem de contribuição positiva.
Introdução
A Verizon fechou 2025 com uma margem EBITDA de 34,5%: de cada 100 dólares que faturou, ficaram-lhe 34,5 antes de pagar juros, impostos e o desgaste da rede. A Walmart, no exercício fiscal de 2026, ficou-se pelos 6,2%. E a WeWork, em 2018, pelos −75,6%, embora no prospeto de entrada em bolsa destacasse uma margem positiva. Três números que não se podem comparar de ânimo leve, e um que ensina a desconfiar dos apelidos que se põem ao EBITDA.
Explicação
Na lição sobre o EBITDA viu o que é esse número: o resultado operacional antes de depreciações e amortizações. Aqui relacionamo-lo com as vendas. A margem EBITDA divide o EBITDA pelas receitas e diz que parte de cada venda fica depois de pagar os custos do dia a dia (pessoal, materiais, energia, rendas, publicidade) e antes de três coisas: o desgaste dos ativos, os juros da dívida e os impostos.
Pense em dois taxistas que fazem as mesmas corridas e faturam 60.000 euros por ano. Depois do gasóleo, do seguro e da manutenção, ficam ambos com 24.000: uma margem EBITDA de 40%. Um comprou o carro a pronto; o outro paga-o com um empréstimo que lhe custa 3.000 euros de juros por ano. A margem EBITDA é idêntica, porque o EBITDA vem antes dos juros. Por isso serve para comparar o negócio de empresas com dívidas muito diferentes. E por isso mesmo não diz qual dos dois taxistas chega mais folgado ao fim do mês.
Porque muda tanto entre setores
Uma operadora de telecomunicações gasta muitíssimo em antenas, fibra e licenças, mas esse gasto não passa pelo EBITDA: aparece depois, como depreciação. A sua margem EBITDA sai alta. Um supermercado quase não tem depreciação, mas paga a mercadoria que vende, e essa entra: a margem EBITDA sai baixa. Os 6,2% da Walmart face aos 34,5% da Verizon não dizem que a Walmart seja pior negócio. Dizem que os custos estão noutro sítio. Por isso, entre setores, olhe também para a margem operacional, que já desconta o desgaste dos ativos.
Fórmula
Margem EBITDA = EBITDA / Receitas × 100
EBITDA = Resultado operacional (EBIT) + Depreciações e amortizações
Resultado operacional (EBIT) = Receitas − Gastos operacionais
Margem operacional = Margem EBITDA − (Depreciações e amortizações / Receitas)
Exemplo
A tabela abaixo compara a margem EBITDA das três grandes operadoras de telecomunicações dos Estados Unidos: AT&T, Verizon e T-Mobile US. Leia-a assim: cêntimos que ficam de cada dólar faturado antes de juros, impostos e desgaste da rede. A ficha da Kaplio pede a uma operadora de telecomunicações uma margem EBITDA de pelo menos 30%; repare se as três passam e por quanto.
Passo a passo: Verizon, exercício de 2025 (relatório anual 10-K, milhões de dólares)
1. Receitas de 2025: 138.191.
2. Resultado operacional: 29.259.
3. Depreciações e amortizações: 18.349.
4. EBITDA = 29.259 + 18.349 = 47.608.
5. Margem EBITDA = 47.608 / 138.191 = 34,5%.
Continue a descer pela demonstração de resultados da Verizon de 2025. A depreciação come 13,3% das receitas e deixa uma margem operacional de 21,2%. Os juros da dívida, 6.694 milhões, levam mais 4,8%. Depois de impostos e de outras rubricas, o resultado líquido foi de 17.174 milhões: uma margem líquida de 12,4%. De 34,5% para 12,4%: esta é a distância entre o que o EBITDA promete e o que fica para o acionista.
Agora é a sua vez. A AT&T teve receitas de 125.648 milhões de dólares em 2025, um resultado operacional de 24.162 milhões e depreciações e amortizações de 20.886 milhões. Calcule a margem EBITDA e a margem operacional.
Antes de ver a solução: terá a AT&T melhor margem EBITDA do que a Verizon? E melhor margem operacional? Solução: margem EBITDA de 35,9%, acima da Verizon, e margem operacional de 19,2%, abaixo. A AT&T gasta em depreciações 16,6% das receitas, face aos 13,3% da Verizon. Um EBITDA mais alto nem sempre é um negócio mais rendível: às vezes é um negócio que precisa de mais investimento.
Exemplo com dados reais
| Empresa | Ticker | Margem EBITDA |
|---|---|---|
| AT&T Inc. | T | 42,2 % |
| Verizon Communications Inc. | VZ | 34,5 % |
| T-Mobile US, Inc. | TMUS | 30,7 % |
Como interpretar
Como se interpreta
Os limiares das telecomunicações, dos media e das plataformas de internet são os que aplica o guia do setor de cada ficha da Kaplio. Os do software e da distribuição são indicativos:
| Setor | Fraco | Normal | Bom |
|---|---|---|---|
| Telecomunicações (Kaplio: a partir de 30%) | menos de 25% | 25-30% | 30% ou mais |
| Plataformas de internet (Kaplio: a partir de 30%) | menos de 20% | 20-30% | 30% ou mais |
| Media e entretenimento (Kaplio: a partir de 20%) | menos de 15% | 15-20% | 20% ou mais |
| Software | menos de 20% | 20-35% | mais de 35% |
| Distribuição e supermercados | menos de 4% | 4-7% | mais de 7% |
Compare sempre dentro do setor e, de preferência, a tendência de vários anos em vez de um exercício isolado: uma margem que desce dois anos seguidos diz mais do que o seu nível.
Armadilhas e limites
1. Não vê os investimentos. A Verizon pagou 17.011 milhões de dólares em investimento em ativo fixo em 2025, 12,3% das receitas, e a AT&T, 20.842 milhões, 16,6%. Nada disso é descontado no EBITDA. Warren Buffett resumiu-o na carta aos acionistas de 2000: as referências ao EBITDA davam-lhe arrepios, e perguntava-se se a gestão achava que o investimento em ativo fixo era pago pela fada dos dentes. Para ver a caixa que fica de facto, vá ao fluxo de caixa livre.
2. O «EBITDA ajustado». Muitas empresas publicam um EBITDA ao qual somam gastos que consideram extraordinários: reestruturações, a remuneração em ações, custos de lançamento de produtos. Alguns ajustes são razoáveis; outros transformam prejuízos em lucros. Charlie Munger foi mais duro do que Buffett: na assembleia da Berkshire de 2003 disse que, sempre que se lesse «EBITDA», se devia pôr no lugar «lucro de faz de conta» (a palavra que usou era mais grosseira). Quando vir «ajustado», procure a reconciliação com o resultado operacional e veja o que foi somado.
3. As normas contabilísticas mudam o número. Com as normas internacionais (IFRS 16, em vigor desde 2019), a renda de lojas e escritórios sai do EBITDA e passa para depreciação e juros. Com as normas dos Estados Unidos, a renda dos arrendamentos operacionais continua a ser descontada. Duas empresas iguais, uma europeia e outra norte-americana, não têm a mesma margem EBITDA.
Caso real: a WeWork e a margem que não o era
A 14 de agosto de 2019, a The We Company, casa-mãe da WeWork, entregou à SEC o prospeto de entrada em bolsa (formulário S-1). As contas de 2018: receitas de 1.821,8 milhões de dólares, prejuízo operacional de 1.691,0 milhões e depreciações e amortizações de 313,5 milhões. EBITDA: −1.377,5 milhões. Margem EBITDA: −75,6%. Prejuízo líquido: 1.927,4 milhões. O prospeto, no entanto, punha em primeiro plano uma «margem de contribuição» dos edifícios que excluía a parte não monetária da renda e a remuneração em ações do pessoal dos espaços, entre outros custos. Medido assim, 2018 dava 467,1 milhões positivos. Os investidores não acreditaram: a 30 de setembro de 2019 a empresa retirou o pedido de entrada em bolsa. Acabou por entrar em bolsa em 2021 por outra via e, em novembro de 2023, declarou falência. Quando uma empresa precisa de inventar uma margem nova para que o número saia positivo, a margem verdadeira costuma ser a que não quer mostrar.
Pratique na Kaplio
Perguntas frequentes
O que indica a margem EBITDA?
Indica que parte de cada venda fica depois de pagar os custos do dia a dia e antes de juros, impostos, depreciações e amortizações. Uma margem de 34,5%, como a da Verizon em 2025, significa que de cada 100 dólares faturados ficam 34,5 para pagar o desgaste da rede, a dívida, os impostos e o acionista.
O que é uma margem EBITDA boa?
Depende do setor. A Kaplio pede às operadoras de telecomunicações e às plataformas de internet pelo menos 30%, e às empresas de media, 20%. Na distribuição e nos supermercados, 6% ou 7% já é habitual: a Walmart teve 6,2% no exercício de 2026. Compare sempre com concorrentes do mesmo negócio.
O que é a margem EBITDA ajustada?
É a margem calculada com um EBITDA ao qual a empresa soma gastos que considera extraordinários ou não monetários, como reestruturações ou a remuneração em ações. Não segue nenhuma norma contabilística e cada empresa calcula-a à sua maneira. Antes de confiar nela, procure a reconciliação com o resultado operacional e veja que gastos ficaram de fora.
O que significa uma margem EBITDA negativa?
Significa que as receitas nem sequer cobrem os custos do dia a dia, antes de depreciações, juros e impostos: o negócio perde dinheiro na própria operação. A WeWork teve em 2018 uma margem EBITDA de −75,6%, com um EBITDA de −1.377,5 milhões de dólares sobre 1.821,8 milhões de receitas.