Em 30 segundos
- O ROA divide o resultado líquido pelo ativo total médio: quanto ganha a empresa com tudo o que tem, quer o tenha pago com dívida, quer com dinheiro dos acionistas.
- O JPMorgan teve em 2025 um ROA de 1,35%: 57.048 milhões de dólares de resultado sobre 4.213.857 milhões de ativo médio.
- Pela decomposição DuPont, o ROA é a margem líquida vezes a rotação do ativo: chega-se ao mesmo ROA vendendo pouco com muita margem ou muito com pouca margem.
- A Kaplio considera saudável na banca um ROA a partir de 1%; numa tecnológica ou numa farmacêutica esse nível seria muito fraco.
- O ROE é o ROA multiplicado pela alavancagem: por isso um banco com um ROA de 1,35% pode ter um ROE de 16%.
Introdução
A Microsoft ganhou 133.749 milhões de dólares no exercício de 2026, fechado a 30 de junho de 2026, com um ativo médio de 688.690 milhões: um ROA de 19,4%. O JPMorgan Chase, o maior banco dos Estados Unidos em ativos, ganhou 57.048 milhões em 2025 com um ativo médio de 4.213.857 milhões: um ROA de 1,35%. Será a Microsoft um negócio catorze vezes melhor? Não. São duas maneiras muito diferentes de ganhar dinheiro, e o ROA, bem lido, diz qual é cada uma.
Explicação
O ROA (do inglês return on assets, rendibilidade do ativo) divide o resultado líquido de um ano por tudo o que a empresa tem no balanço: caixa, o que os clientes lhe devem, inventários, fábricas, escritórios, patentes e goodwill. Pouco importa como foi pago cada ativo, com dívida ou com dinheiro dos acionistas. Por isso o ROA mede o negócio inteiro, e não só a parte dos acionistas.
Pense em dois irmãos. Ela tem um apartamento de 200.000 euros arrendado que lhe deixa 8.000 euros limpos por ano: um ROA de 4%. Ele tem uma roulotte de comida de 50.000 euros, entre o reboque e a cozinha, que lhe deixa 10.000: um ROA de 20%. Ele tira muito mais de cada euro investido. Mas ela quase não tem de fazer nada para receber a renda, enquanto ele vende centenas de bifanas por semana com uma margem pequena em cada uma. O ROA resume num só número essa combinação de margem e volume.
Ativo médio, não de fecho
O resultado ganha-se ao longo do ano inteiro, mas o balanço é a fotografia de um dia. Se a empresa cresceu muito, o ativo do fecho exagera o que esteve a trabalhar. O mais limpo é usar a média do ativo no início e no fim do exercício. Com o ativo de fecho, o ROA do JPMorgan em 2025 desceria de 1,35% para 1,29%. Não é um drama, mas compare sempre com o mesmo método de cálculo.
A decomposição DuPont
O ROA pode partir-se em duas peças: a margem líquida (quanto fica de cada venda) vezes a rotação do ativo (quantas vendas gera cada dólar de ativo). É a decomposição DuPont, que deve o nome ao grupo químico norte-americano que a popularizou. Repare por que caminhos tão diferentes chegam três empresas ao seu ROA:
Walmart, exercício de 2026: margem líquida de 3,07% vezes uma rotação de 2,61 = ROA de 8,0%.
Microsoft, exercício de 2026: margem líquida de 40,3% vezes uma rotação de 0,48 = ROA de 19,4%.
JPMorgan, 2025: margem líquida de 31,3% vezes uma rotação de 0,043 = ROA de 1,35%.
A Walmart vende muito e ganha pouco em cada venda. A Microsoft ganha muito em cada venda com um ativo pesado em centros de dados. O JPMorgan tem uma margem alta, mas os seus ativos são sobretudo empréstimos e títulos, que geram poucas receitas por dólar.
Fórmula
ROA = Resultado líquido / Ativo total médio
Ativo total médio = (Ativo no início do exercício + Ativo no fecho) / 2
DuPont: ROA = Margem líquida × Rotação do ativo
Margem líquida = Resultado líquido / Receitas
Rotação do ativo = Receitas / Ativo total médio
ROE = ROA × (Ativo total / Capital próprio)
Exemplo
A tabela abaixo compara o ROA dos quatro maiores bancos dos Estados Unidos: JPMorgan Chase, Bank of America, Wells Fargo e Citigroup. Leia-a assim: cêntimos de resultado por ano por cada dólar de ativo. Repare nos bancos que superam o 1% que a Kaplio considera saudável na banca e nos que ficam abaixo. A tabela usa os últimos doze meses, por isso não tem de bater certo até à última casa decimal com o cálculo do exercício que se segue.
Passo a passo: JPMorgan Chase, exercício de 2025 (relatório anual 10-K, milhões de dólares)
1. Resultado líquido de 2025: 57.048.
2. Ativo total: 4.002.814 a 31 de dezembro de 2024 e 4.424.900 a 31 de dezembro de 2025. Média: 4.213.857.
3. ROA = 57.048 / 4.213.857 = 1,35%.
4. DuPont: com receitas líquidas (o produto bancário) de 182.447 milhões em 2025, a margem líquida é de 31,3% e a rotação, de 0,043 vezes. 31,3% × 0,043 = 1,35%.
O JPMorgan tira 4 cêntimos de receitas por ano de cada dólar de ativo. Assim é a banca: empresta o dinheiro dos depositantes e cobra um diferencial pequeno sobre um balanço enorme.
Agora é a sua vez. O Citigroup ganhou 14.306 milhões de dólares em 2025. O ativo total era de 2.352.945 milhões no fecho de 2024 e de 2.657.202 milhões no fecho de 2025. Calcule o ROA com o ativo médio.
Antes de ver a solução: o Citigroup chegará ao 1% que a Kaplio pede a um banco? Solução: ativo médio de 2.505.074 milhões e um ROA de 0,57% em 2025. Não chega, e no caso real vai ver porque é que isso importa.
Exemplo com dados reais
| Empresa | Ticker | ROA |
|---|---|---|
| JPMorgan Chase & Co. | JPM | 1,3 % |
| Bank of America Corporation | BAC | 0,9 % |
| Wells Fargo & Company | WFC | 1,0 % |
| Citigroup Inc. | C | 0,6 % |
Como interpretar
Como se interpreta
Um ROA só diz alguma coisa dentro do seu setor. O único limiar que a ficha da Kaplio aplica é o da banca: um ROA saudável a partir de 1%. Os restantes escalões desta tabela são indicativos:
| Setor | Fraco | Normal | Bom |
|---|---|---|---|
| Bancos (limiar da Kaplio) | menos de 0,8% | 0,8-1% | 1% ou mais |
| Elétricas reguladas | menos de 2% | 2-4% | mais de 4% |
| Distribuição e supermercados | menos de 4% | 4-7% | mais de 7% |
| Indústria | menos de 4% | 4-8% | mais de 8% |
| Software e farmacêuticas | menos de 8% | 8-15% | mais de 15% |
Porque é que a fasquia de um banco é tão baixa? Porque trabalha com muito pouco capital próprio. O JPMorgan tinha, no fecho de 2025, cerca de 12 dólares de ativo por cada dólar de capital próprio. Multiplique o ROA por essa alavancagem e obtém o ROE: o 1,35% do JPMorgan transforma-se num ROE de 16,1% em 2025. Numa tecnológica quase sem dívida, ROA e ROE são muito mais parecidos.
Armadilhas e limites
1. Comparar entre setores. Um ROA de 1,35% é excelente num banco e um desastre numa empresa de software. Compare sempre com concorrentes do mesmo negócio.
2. Ativos velhos que inflacionam o ROA. Uma fábrica com trinta anos está quase toda amortizada no balanço. A empresa parece rendibilíssima até ter de a substituir ao preço de hoje.
3. As aquisições. Comprar outra empresa mete no ativo o que se pagou a mais (o goodwill) e baixa o ROA durante anos, mesmo que o negócio comprado corra bem. Veja se o ROA cai por causa do negócio ou de uma aquisição.
4. Um resultado extraordinário. A venda de uma participada infla o numerador num ano. Antes de celebrar um ROA recorde, confirme de onde vem o resultado.
Caso real: o Citigroup face ao JPMorgan
Os dois bancos usam quase a mesma alavancagem: no fecho de 2025, o JPMorgan tinha 12,2 dólares de ativo por cada dólar de capital próprio, e o Citigroup, 12,5. Os dois geram poucas receitas por dólar de ativo, com uma rotação de 0,043 vezes no JPMorgan e de 0,034 no Citigroup. A grande diferença está na margem: de cada dólar de receitas líquidas, o JPMorgan transformou em resultado 31 cêntimos em 2025 e o Citigroup, 17 (14.306 milhões de resultado líquido sobre 85.225 milhões de receitas líquidas). Resultado: um ROA de 1,35% face a 0,57%, e um ROE de 16,1% face a 6,8%. Como a alavancagem é quase a mesma, o ROE não acrescenta informação nova: o ROA já tinha dito qual dos dois bancos tira mais partido do mesmo tipo de balanço. Por isso é a primeira métrica de qualidade que a ficha da Kaplio analisa num banco.
Pratique na Kaplio
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre o ROA e o ROE?
O ROA divide o resultado líquido por todo o ativo da empresa; o ROE, só pelo capital próprio dos acionistas. A diferença é a alavancagem: ROE = ROA × ativo / capital próprio. O JPMorgan teve em 2025 um ROA de 1,35% e um ROE de 16,1%, porque tem cerca de 12 dólares de ativo por cada dólar de capital próprio.
Como calcular o ROA de uma empresa?
Divida o resultado líquido do ano pelo ativo total médio, que é a média do ativo no início e no fecho do exercício. Os dois dados estão nas contas anuais. O JPMorgan ganhou 57.048 milhões de dólares em 2025 com 4.213.857 milhões de ativo médio: um ROA de 1,35%.
O que significa o ROA de uma empresa?
Significa quanto a empresa ganha por cada dólar ou euro que tem investido no negócio, seja qual for a forma como o financiou. Um ROA de 8%, como o da Walmart no exercício de 2026, quer dizer 8 cêntimos de resultado líquido por ano por cada dólar de ativo. Só se compara dentro do mesmo setor.
Qual é um bom ROA?
Depende do setor. Na banca, a Kaplio considera saudável um ROA a partir de 1%. Na distribuição, acima de 7% é um bom número indicativo; no software e nas farmacêuticas, acima de 15%. Mais do que o número exato, importa compará-lo com concorrentes do mesmo negócio e ver se se mantém durante vários anos.